Polifactory China | Co-founder Leonardo Colucci has been interview by the prestigious brazilian website with their roots in China, Radar China.

A complete interview about architecture and culture in China from his point of view and experiences working in our studio. We strongly recommend to have a look on it, some interesting part highlighted here, but you can read all of it, HERE.

“RC: Fale um pouco deste caráter mais ocidental que conforma a distribuição urbana de Shanghai, estas influências que chegaram ao país ainda no início do século passado.

Colucci: Shanghai foi criada basicamente por estrangeiros. O que não ocorreu em relação a Beijing. Eu gosto de comparar Shanghai a São Paulo, não só em relação à conformação urbana, mas também como as duas cidades foram essencialmente compostas por imigrantes. Urbanisticamente, estas duas cidades também são bem similares: a área da cidade de Shanghai era dividida em áreas ou concessões internacionais, primeiramente para os ingleses, seguida pela americana e finalmente, francesa, situada ao lado da zona reservada para a população local.

Em São Paulo, as diferentes fazendas e vilas cresceram dominadas por imigrantes e se expandiram até se tornarem uma única metrópole. Em Shanghai o mesmo ocorreu, a cidade cresceu até se tornar uma densa massa urbana. Nenhuma das duas cidades elaboraram um plano diretor geral específico, e por esse motivo, muitas das vezes as ruas não seguem um “grid” definido, o pode ser vantajoso em relação à heterogeneidade e interação social, mas no que se refere ao transporte e circulação, não funcionam muito bem.

Em relação a diferenças, por exemplo, além de o metrô de Shanghai abranger uma área muito maior do que o de São Paulo, Shanghai ainda elevou praticamente todo o tráfego da cidade através de avenidas elevadas, e quando eu digo elevadas eu quero dizer bem elevadas, de 20 a 30 metros do solo, literalmente retirando a maioria dos carros do nível da rua e aliviando o trânsito da cidade. A impressão que eu tenho é que estas duas as cidades tiveram o mesmo tipo estrutura, e somente nos últimos anos se diferenciaram.

Beijing é o oposto de Shanghai e de São Paulo, é uma cidade que sofreu profundas transformações urbanas, passando de uma confusa e insalubre conglomeração de hutongs (ruelas seculares, herança dos tempos imperiais) para uma cidade extremamente heterogênea no que se refere à escala urbana. Vítima da especulação imobiliária, Beijing optou pela demolição, em vez de revitalização. A cidade funciona por zonas  urbanas separadas principalmente por avenidas e anéis de circulação, que partem do ponto central da cidade, onde está localizada a praça Tiananmen (Praça da Paz Celestial). A idéia de parques públicos, por exemplo, veio pro influência estrangeira, tal conceito não existia em Beijing até o início do século passado. As bicicletas foram substituídas por um oceano de carros. Apesar de Beijing ainda guardar relíquias arquitetônicas de várias dinastias, a cidade sofre com a expansão exacerbada de seu tecido urbano.”